Foi um dos ralis mais emocionantes dos últimos anos. A prova portuguesa, 4.ª do calendário mundial que decorreu no pretérito fim-de-semana, teve um pouco de tudo e terminou com a desclassificação do vencedor, o finlandês Mikko Hirvonen.
Em pleno dia das mentiras, a notícia do volte-face na prova lusa do WRC caiu que nem uma bomba, mas era mesmo verdade: um problema na embraiagem do DS3 de Hirvonen, denunciado, ao que tudo indica, por um protesto feito pela equipa M-Sport, levou à desclassificação do piloto da Citroën, que assim viu ser-lhe retirada a vitória no Rally de Portugal, entretanto atribuída oficialmente pela FIA a Mads Ostberg, piloto norueguês da equipa privada Adapta World Rally Team que corre em Ford Fiesta RS.
 |
Foto de João Ferreira - Liga Tahiti ® |
Para a equipa de Hirvonen, esta acabou por ser uma prova para esquecer, na qual as coisas começaram a correr mal logo na primeira etapa, com o abandono do campeão Sébastien Loeb devido a uma forte saída de estrada que não deixou o carro em condições de regressar. Por essa altura, os dois homens da Ford ficaram na frente da prova, com tudo para poderem gerir a sua vantagem, obrigando Hirvonen a atacar.
No entanto, a manhã de sexta-feira mostrou-se determinante para o que restou do rali. A tempestade que se abateu no Algarve apanhou todos os concorrentes desprevenidos e os dois pilotos da Ford saíram de estrada nas duas primeiras classificativas do dia, entregando de bandeja o triunfo a Hirvonen, que pôde levantar o pé e não teve necessidade de atacar, assegurando igualmente aquela que parecia ser a sua primeira vitória desde que se transferiu da Ford para a Citroën.
 |
Foto de João Ferreira - Liga Tahiti ® |
Pelo menos assim era na estrada, antes do "golpe de teatro" na secretaria. Pelo meio, e apesar de todos os intervenientes terem referido que as condições atmosféricas haviam transformado a prova numa lotaria, os responsáveis da Ford ficaram furiosos com o que sucedeu com os seus dois pilotos, numa altura em que tinham tudo para poderem recuperar do atraso no Campeonato do Mundo devido à desistência de Loeb no dia anterior.
A desclassificação de Hirvonen acabou assim por minimizar o prejuízo para a Ford, visto que Solberg conseguiu alcançar o 3.º posto, no entanto a escuderia britânica não saiu satisfeita de Portugal. Segue-se no calendário o Rally da Argentina, que se vai disputar entre os próximos dias 27 e 29 de Abril, uma prova determinante que servirá para colocar alguma ordem na luta pelo campeonato e em que a Citroën pretenderá dar a "resposta" a este desaire, mas na qual a Ford irá querer deixar claro que os azares acontecidos em Portugal foram mesmo devido ao mau tempo.
 |
Foto de João Ferreira - Liga Tahiti ® |
Para os portugueses, entre a desilusão e a esperança, o rali acabou por correr mal a Armindo Araújo, que teve de se resignar a ser "apenas" o melhor português, depois de ainda ter chegado a sonhar com um posto nos 10 primeiros. Araújo entrou mal na prova e, logo no primeiro dia, uma saída de estrada fez o representante luso no WRC perder alguns minutos, tendo o piloto admitido na altura que o objectivo "top-10" estava fora de alcance.
O caos que se viveu na manhã de sexta-feira devido à chuva que se abateu no Algarve provocou muitas alterações na classificação e Armindo Araújo, que até nem puxou muito - a exemplo de outros concorrentes tentou apenas se manter na estrada dadas as más condições -, chegou ao final da etapa bem perto dos 10 primeiros.
 |
Foto de João Ferreira - Liga Tahiti ® |
Por razões de segurança, a organização decidiu anular os três troços da secção da tarde de sexta-feira, tendo a prova sido retomada no sábado e com Armindo Araújo na luta pelo 10.º posto. No entanto, na segunda classificativa da tarde, e quando estava em condições de ultrapassar o finlandês Jari Ketomaa (Ford) no 10.º lugar, o braço da suspensão do Mini cedeu, após ter embatido numa pedra, e o português foi obrigado a desistir.
Armindo Araújo regressou, no domingo, em “Rally 2”, para tentar ser pelo menos o melhor português, objectivo que cumpriu facilmente, apesar de ainda ter tido um furo na penúltima especial, terminando a prova no 16.º lugar, subindo entretanto à 15.ª posição em face da decisão na secretaria em redor de Hirvonen.
P.S.: A
LIGA TAHITI agradece, uma vez mais, ao tahitiano João Ferreira pelas excelentes fotos.
Sem comentários:
Enviar um comentário