quinta-feira, julho 21, 2011

COL DU GALIBIER #18: Andy Schleckcionou de vez


Estão encontrados os homens que efectivamente lutam pela vitória na Volta a França. Apesar dos ciclistas ainda terem que ultrapassar a dura etapa de amanhã, com nova passagem pelo Col du Galibier e subida final ao Alpe D’Huez, ficou hoje claro quem são os candidatos ao triunfo final. E, sem menosprezar Thomas Voeckler – que julgo que ficará no pódio, os grandes favoritos são Andy Schleck e Cadel Evans. Mesmo o primogénito da família Schleck, Frank, não conseguirá amealhar tempo suficiente na tirada de amanhã para chegar ao contra-relógio com margem para o australiano da BMC.

Esta quinta-feira a Leopard Trek, através de uma estratégia muito bem montada, deu uma machadada nas aspirações de Alberto Contador (Saxo Bank-Sungard) e relançou Andy Schleck, que com inconfundível classe seguiu Alpes fora, ajudado apenas pelo seu companheiro Maxime Monfort. Foi um ataque calculado, é certo, mas com uma dose de arrojo a resvalar para o suicídio. Brian Nygaard e Kim Andersen, responsáveis da formação luxemburguesa, foram argutos e os irmãos Schleck até tinham um plano B, caso o ataque do mais novo fracassasse. Frank tentaria a sua sorte na eventualidade do grupo de candidatos alcançar Andy na última subida (Galibier Serre-Chevalier). A loucura e o sucesso raramente se emparelham mas, como por vezes acabam por se tanger, dou 20 valores a Andy Schleck pela soberba prestação alpina.

Confirma-se também a superioridade da Leopard Trek em todos os terrenos e comprova-se aquilo que ainda hoje Paulo Martins, da Eurosport, fez questão de frisar: o Giro e a Vuelta podem ser ganhos sem equipa, mas no Tour isso é praticamente impossível.


Apesar da dobradinha familiar, o meu segundo destaque tem que ser dirigido a Cadel Evans. Parecia uma locomotiva, depois da pasmaceira que teve lugar entre o Col d’Izoard e o início da subida ao Galibier. Não se amedrontou por carregar toda a concorrência às costas, qual canino portador de múltiplas carraças, e reduziu a vantagem do dorsal 11 em cerca de dois minutos. Neste momento, as odds estão a seu favor.

Apesar do parasitismo – ainda que subtil, mesclado com escassez de forças -, Thomas Voeckler (Europcar) voltou a segurar a maillot jaune. As hipóteses de triunfar em Paris não são muitas mas ainda existe uma réstia de esperança para os franceses. Pierre Rolland esteve impecável ao longo das três subidas, escudou o seu líder e ainda se aproximou da camisola branca, agora na posse do estoniano Rein Taaramae (Cofidis).

Uma última nota para o detentor da prova, Alberto Contador: ninguém pode negar a sua qualidade e a sua bravura, mesmo quando está menos bem fisicamente. Mas está provado que vencer o Giro e tentar conquistar o Tour não está ao alcance de todos. Contador não é Pantani e os tempos também são outros. Deveria repensar a sua preparação no próximo ano porque, como o próprio já admitiu, “a vitória é impossível”.

Em suma, está feita a grande triagem nesta edição muito poeirenta da Grande Boucle. Esperemos que amanhã as diferenças não sejam demasiado relevantes para que o crono de Sábado ainda consubstancie alguma incerteza e emoção.
Octávio Lousada Oliveira

Le Tour de France 2011: Etapa 18


Andy Schleck (Leopard Trek) foi o grande vencedor na etapa rainha do Tour'2011 que terminou no Col du Galibier. O grande herói, esse, foi Thomas Voeckler (Europcar), que surpreendentemente conservou a camisola amarela, agora presa por escassos 15 segundos. 

Já Alberto Contador (Saxo Bank) hipotecou quase por completo as hipóteses de vencer a Grande Boucle, visto que terminou a 3.50 minutos do vencedor da tirada. O triunfo do mais novo dos Schleck surgiu após um ataque não respondido no Col d'Izoard, ganhando uma vantagem preciosa sobre os mais fortes rivais, que depois geriu e foi suficiente para subir ao 2.º lugar da classificação geral. Frank Schleck (Leopard Trek) foi segundo na etapa e ultrapassou Cadel Evans (BMC), depois do último despender muito esforço na perseguição a Andy. Destaque ainda para Damiano Cunego (Lampre) e Ivan Basso (Liquigas), homens que mantiveram o ritmo e assim ultrapassaram Contador na classificação geral. Resta salientar que foram retirados 20 pontos na classificação da camisola verde a Mark Cavendish (HTC), devido à chegada tardia do mesmo nesta etapa 18.

Andy Schleck venceu a etapa, ganhou tempo e subiu ao 2.º lugar da geral individual.
Classificação Etapa 18:
1.º Andy Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, 6:07.56 horas (média: 32,7 km/h)
2.º Frank Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, a 2.07m
3.º Cadel Evans (AUS) / BMC Racing Team, a 2.15m
4.º Ivan Basso (ITA) / Liquigas-Cannondale, a 2.18m
5.º Thomas Voeckler (FRA) / Team Europcar, a 2.21m
6.º Pierre Roland (FRA) / Team Europcar, a 2.27m
7.º Damiano Cunego (ITA) / Lampre-ISD, a 2.33m
8.º Rein Taaramae (EST) / Cofidis, a 3.22m
9.º Tom Danielson (EUA) / Garmin-Cervélo, a 3.25m
10.º Ryder Hesjedal (CAN) / Garmin-Cervélo, a 3.31m
(...)
15.º Alberto Contador (ESP) / Saxo Bank-SunGard, a 3.50m
79.º Sérgio Paulinho (POR) / Team RadioShack, a 31.17m
89.º Rui Costa (POR) / Movistar Team, a 35.40m

Classificação Geral:
1.º Thomas Voeckler (FRA) / Team Europcar, 79:34.06 horas
2.º Andy Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, a 15s
3.º Frank Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, a 1.08m
4.º Cadel Evans (AUS) / BMC Racing Team, a 1.12m
5.º Damiano Cunego (ITA) / Lampre-ISD, a 3.46m
6.º Ivan Basso (ITA) / Liquigas-Cannondale, m.t.
7.º Alberto Contador (ESP) / Saxo Bank-SunGard, a 4.44m
8.º Samuel Sánchez (ESP) / Euskaltel-Euskadi, a 5.20m
9.º Tom Danielson (EUA) / Garmin-Cervélo, a 7.08m
10.º Jean-Christophe Peraud (FRA) / AG2R La Mondiale, 9.27m
(...)
82.º Sérgio Paulinho (POR) / Team RadioShack, a 2:00.06h
96.º Rui Costa (POR) / Movistar Team, a 2:16.46h

Classificação por Equipas (Líder): Garmin-Cervélo (EUA), 238:16.08 horas
Classificação por Pontos (Líder): Mark Cavendish (GBR) / HTC-Highroad, 300 pontos
Classificação de Montanha (Líder): Jelle Vanendert (BEL) / Omega Pharma-Lotto, 74 pontos
Classificação da Juventude (Líder): Rein Taaramae (EST) / Cofidis, 79:43.42 horas

Etapa 19 (Perfil):

COL DU GALIBIER #17: "Até que as montanhas venham abaixo"


Para qualquer país que tenha no ciclismo uma modalidade com algum relevo social é um luxo ter um executante a percorrer as estradas da Volta a França. A cobertura e exposição mediática serão maiores se forem dois os ciclistas presentes na prova gaulesa. Se a isso juntarmos o facto de um deles ter envergado a mítica camisola amarela, o orgulho nacional eleva-se ainda mais. Se, posteriormente, esse mesmo corredor vencer uma etapa, o tal país cumpre e supera as expectativas. Mas, pouco satisfeito, o compatriota teima em arrebatar também um triunfo. O primeiro, uns dias volvidos, responde com novo primeiro lugar numa tirada e, esta quarta-feira, o mais novo regressa ao lugar mais alto do pódio em Pinerolo. A minha pergunta é a seguinte: a Noruega levou dois vikings sob a forma de ciclistas para a Grande Boucle? É que só dois homens daquela pequena nação velocipédica já acumularam quase um quarto das etapas desta edição do Tour…

Na jornada que ligou Gap a Pinerolo (Itália), Edvald Boasson Hagen (Sky) “vingou” a derrota de ontem ante o compatriota Thor Hushovd (Garmin-Cervélo), depois de se intrometer em nova fuga ao pelotão. Após o bis, o multifacetado ciclista escandinavo afirmou mesmo ter “uma espinha encravada por não ter conseguido vencer” no dia anterior. 


A etapa era dura – continha cinco contagens de montanha – mas o também vencedor da tirada entre Dinan e Lisieux não se mostrou temeroso. Na última e difícil subida do dia, Côte de Pramartino, Boasson Hagen deixou todos os companheiros circunstanciais de fuga e, a solo, subiu e desceu para terminar a receber os costumeiros beijinhos das meninas do pódio. 

Com duas vitórias sucessivas, em etapas particularmente acidentadas, Hagen e Hushovd fazem-me recuperar parte do juramento de Eidsvoll (onde a Constituição daquele país foi adoptada), em que se diz “Unidos até que as montanhas do Dovre venham abaixo”. Não as da referida cordilheira, mas as montanhas francesas têm mesmo vindo abaixo com os dois únicos representantes da Noruega. 

No que à geral individual concerne, parece-me haver um Contador superavitário para uma concorrência deficitária. Nova demonstração de força de “El Pistolero” (até mesmo a descer) e de Samuel Sánchez, que acabou por redundar em nada, face ao trabalho final dos outros adversários. Os únicos penalizados foram o líder Thomas Voeckler (Europcar) e o italiano Ivan Basso (Liquigas), que cederam 27 preciosos segundos. Esta quinta-feira teremos a etapa rainha do Tour de France’11, com a chegada ao centenário Galibier, ele que dá nome a este singelo espaço de análise. Como já aqui disse anteriormente, será dia de sofá.

Octávio Lousada Oliveira

Copa América 2011: Meias-Finais


Meias-Finais:
Paraguai 0 x 0 Venezuela (g.p. 5 x 3)

O Paraguai juntou-se esta madrugada ao Uruguai na final da Copa América, depois de superar a surpreendente Venezuela nas grandes penalidades, uma vez que o nulo persistiu ao longo dos 120 minutos. A partida foi extremamente mal jogada, com os dois conjuntos sempre na expectativa. As ocasiões de golo tardavam em surgir, no entanto, os guaraníes foram mais afoitos durante o tempo regulamentar, ainda que sem clarividência suficiente para desbloquear o marcador. No prolongamento, foi a Venezuela a tentar dar um ar da sua graça, especialmente após a expulsão de Santana (103'), mas nunca conseguiu bater o sólido guardião Justo Villar, que novamente foi um dos heróis da noite.

O Paraguai chega à final sem obter qualquer vitória.
A selecção paraguaia aguentou o ímpeto da vinotinto e nas grandes penalidades foi mais eficaz. Ortigoza, Barrios, Riveros, Martínez e Verón acertaram todos na baliza, enquanto pela Venezuela apenas três marcaram (Maldonado, Rey e Fedor). Lucena permitiu a defesa de Justo Villar e fica assim ligado à eliminação dos venezuelanos, que ainda assim fizeram a melhor prestação de sempre nesta competição. O Paraguai vai agora disputar a final com o Uruguai no próximo Domingo (20:00, hora portuguesa) e tentará alcançar o terceiro título da sua história, após os triunfos em 1953 e 1979. Por sua vez, a Venezuela defronta o Peru no Sábado para a atribuição do 3.º e 4.º lugar.

quarta-feira, julho 20, 2011

Le Tour de France 2011: Etapa 17


Novamente um norueguês, desta feita Boasson Hagen. Depois de ontem ter perdido a batalha com o seu compatriota, o ciclista da Sky voltou a tentar a sorte e desta vez surtiu efeito, alcançando um triunfo isolado em Pinerolo. Bauke Mollema (Rabobank) e Sandy Casar (FDJ) completaram o pódio.

No que toca à luta pela classificação geral, Alberto Contador (Saxo Bank) voltou a atacar na última contagem de montanha do dia (Côte de Pramartino, 2.ª categoria). No entanto, não conseguiu "descolar" dos principais rivais, ainda que - junto com Samuel Sánchez (Euskaltel) - tenha obtido alguma vantagem na perigosa descida até à localidade italiana, que foi anulada dentro do último quilómetro. Contudo, todos eles ganharam preciosos segundos a Thomas Voeckler (Europcar). O francês enfrentou algumas dificuldades na descida final, onde chegou a ter duas saídas de estrada, perdendo assim o contacto com as principais figuras do Tour. Quem também saiu derrotado foi Ivan Basso (Liquigas), que chegou junto ao líder da Grande Boucle. Tudo para decidir nos próximos dias, com especial atenção para a etapa de amanhã que termina no Col du Galibier, a 2.645 metros de altitude.

Boasson Hagen venceu pela segunda vez neste Tour'2011.
Classificação Etapa 17:
1.º Boasson Hagen (NOR) / Sky Procycling, 4:18.00 horas (média: 41,6 km/h)
2.º Bauke Mollema (HOL) / Rabobank Cycling Team, a 40s
3.º Sandy Casar (FRA) / Française des Jeux, a 50s
(...)
17.º Frank Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, a 4.26m
18.º Damiano Cunego (ITA) / Lampre-ISD, m.t.
19.º Samuel Sánchez (ESP) / Euskaltel-Euskadi, m.t.
20.º Cadel Evans (AUS) / BMC Racing Team, m.t.
22.º Alberto Contador (ESP) / Saxo Bank-SunGard, m.t.
24.º Andy Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, m.t.
28.º Thomas Voeckler (FRA) / Team Europcar, a 4.53m
31.º Ivan Basso (ITA) / Liquigas-Cannondale, m.t.
128.º Sérgio Paulinho (POR) / Team RadioShack, a 14.15m
169.º Rui Costa (POR) / Movistar Team, a 20.38m

Classificação Geral:
1.º Thomas Voeckler (FRA) / Team Europcar, 73:23.49 horas
2.º Cadel Evans (AUS) / BMC Racing Team, a 1.18m
3.º Frank Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, a 1.22m
4.º Andy Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, a 2.36m
5.º Samuel Sánchez (ESP) / Euskaltel-Euskadi, a 2.59m
6.º Alberto Contador (ESP) / Saxo Bank-SunGard, a 3.15m
7.º Damiano Cunego (ITA) / Lampre-ISD, a 3.34m
8.º Ivan Basso (ITA) / Liquigas-Cannondale, a 3.49m
9.º Tom Danielson (EUA) / Garmin-Cervélo, a 6.04m
10.º Rigoberto Urán (COL) / Sky Procycling, a 7.36m
(...)
81.º Sérgio Paulinho (POR) / Team RadioShack, a 1:31.10h
93.º Rui Costa (POR) / Movistar Team, a 1:43.27h

Classificação por Equipas (Líder): Garmin-Cervélo (EUA), 219:41.46 horas
Classificação por Pontos (Líder): Mark Cavendish (GBR) / HTC-Highroad, 320 pontos
Classificação de Montanha (Líder): Jelle Vanendert (BEL) / Omega Pharma-Lotto, 74 pontos
Classificação da Juventude (Líder): Rigoberto Urán (COL) / Sky Procycling, 73:31.25 horas

Etapa 18 (Perfil):

Copa América 2011: Meias-Finais


Meias-Finais:
Uruguai 2 x 0 Peru

O Uruguai foi a primeira selecção a garantir o acesso à final da Copa América, depois de vencer o Peru por 2-0 em La Plata. Luis Suárez foi o grande destaque da partida ao apontar os dois golos que selaram o triunfo uruguaio, selecção que não marcava presença no jogo decisivo desta competição desde 1999.

La celeste, que contou com Maxi e Álvaro Pereira na equipa titular, confirmou o estatuto de favorita e rapidamente tomou conta dos acontecimentos. Com melhor qualidade futebolística, o Uruguai apenas pecou pela fraca finalização, uma vez que criou várias situações para inaugurar o marcador ainda na primeira metade. Contudo, os golos apenas iriam surgir na etapa complementar: Luis Suárez abriu o livro e em 5 minutos resolveu a partida. O primeiro tento surgiu aos 53 minutos, após uma defesa incompleta de Fernández, e o segundo aos 58', com um grande pormenor do avançado vinculado ao Liverpool.

Suárez "arrumou" a selecção peruana em 5 minutos.
Aos 69 minutos, o Peru - Alberto Rodríguez jogou todo o encontro - viu "esfumar-se" todas as esperanças em recuperar o resultado, depois de Vargas ser expulso por agressão a Coates. La blanquirroja ficou aquém das expectativas, visto que não colocou em campo a organização defensiva que vinha a demonstrar ao longo da prova. Na final, que se realizará no próximo Domingo em Buenos Aires, o Uruguai irá encontrar o vencedor do jogo entre Paraguai e Venezuela, partida para acompanhar nesta madrugada de quinta-feira.

COL DU GALIBIER #16: Galdeano bem avisou


O segundo e último dia de descanso da Volta a França foi uma boa oportunidade para se ouvir um pouco daquilo que as principais figuras das estradas pensam sobre esta última semana de prova. Dentre as banalidades que normalmente são proferidas nestas ocasiões, destaco a sensatez e perspicácia do director desportivo da Euskaltel-Euskadi. Igor González de Galdeano – lembram-se dele? – foi lacónico e lançou os próximos dias da Grande Boucle de forma muito acertada. O team manager da equipa basca, em declarações à agência EFE, afirmou que “Alberto Contador iria decantar o Tour num sentido ou noutro”.

E, de facto, tal com apontei há uns dias neste espaço, o espanhol é dos poucos com coragem para atacar a corrida e os adversários, mesmo onde o atrevimento é menos expectável. Nesta terça-feira, no Col de Manse, subida de 2.ª categoria que antecedeu a chegada a Gap, “El Pistolero” foi o primeiro a consumar aquilo que a equipa de Cadel Evans, a BMC, fazia prever: um teste exigente a Thomas Voeckler (Europcar) e a toda a concorrência. Após duas ou três mudanças de velocidade tão características, o dorsal n.º 1, o australiano e o basco Samuel Sánchez foram-se mesmo embora. Se no final da subida a vantagem não era muito preocupante, na descida as distâncias avolumaram-se. Principal penalizado: Andy Schleck (Leopard-Trek).


E este abanão, que o próprio Contador admitiu ter sido “melhor do que podia imaginar” volta a reacender a luta pela geral e a conferir grande dose de favoritismo a… Cadel Evans. O ex-campeão do mundo está numa forma incrível – veja-se como reagiu sempre de pronto ao chefe de fila da Saxo Bank e como desceu e rolou de forma imparável até cruzar a meta na Capitale Douce – e é de todos os candidatos à vitória final aquele que melhor se comporta no contra-relógio.

Mesmo que Contador não inscreva o seu nome na lista de vencedores pela quarta vez, está visto que da sua acção dependerá o epílogo da luta pela maillot jaune. Voltando a recorrer às palavras de Galdeano, “os seus rivais temem-no e, se estiver bem, vai partir a corrida”.

Aproveito ainda para sublinhar o carácter e a senda vitoriosa de Thor Hushovd (Garmin-Cervélo). O segundo líder desta edição do Tour voltou a fazer uma demonstração cabal de toda a sua classe. Vencer em Gap – onde Sérgio Paulinho venceu no ano transacto -, depois de mais uma longa fuga, suplantando o seu compatriota Edvald Boasson Hagen (Sky), não é para todos. É para Hushovd e poucos mais… E só deixei esta menção para o final porque tendo a decisão da guerra a acontecer não poderia focar-me particularmente na batalha de hoje.

Octávio Lousada Oliveira

terça-feira, julho 19, 2011

Le Tour de France 2011: Etapa 16


Muitas surpresas no regresso do Tour'2011. Primeiro, o vencedor da etapa: Thor Hushovd. O ciclista da Garmin-Cervélo cortou a meta instalada em Gap - local onde Sérgio Paulinho triunfou no ano transacto - no primeiro lugar, depois de uma fuga bem sucedida e para a qual em muito contribuiu o companheiro Ryder Hesjedal, que terminou no 3.º posto. Já Boasson Hagen (Sky) acabou no último lugar do pódio. 

Contudo, o grande protagonismo não é para o norueguês, uma vez que Alberto Contador (Saxo Bank) atacou e só Cadel Evans (BMC) e Samuel Sánchez (Euskaltel) responderam, com os três a ganharem tempo a todos os concorrentes directos. Numa etapa onde ninguém esperava grandes "cortes", o espanhol, que parece ter recuperado a melhor forma, aproveitou o Col de Manse (contagem de 2.ª categoria) para testar os rivais e, retirando os nomes já referidos, conseguiu reduzir muito tempo para os mesmos. Na geral, Thomas Voeckler (Europcar) continua a envergar a maillot jaune, mas o 2.º lugar é agora de Cadel Evans. Samuel Sánchez e Alberto Contador ultrapassaram Ivan Basso (Liquigas), no entanto o grande destaque vai para os 39 segundos que agora separam o espanhol da Saxo Bank de Andy Schleck.

O norueguês Thor Hushovd venceu a etapa, enquanto Contador recuperou tempo.
Classificação Etapa 16:
1.º Thor Hushovd (NOR) / Garmin-Cervélo, 3:31.38 horas (média: 46,1 km/h)
2.º Boasson Hagen (NOR) / Sky Procycling, m.t.
3.º Ryder Hesjedal (CAN) / Garmin-Cervélo, a 2s
(...)
11.º Cadel Evans (AUS) / BMC Racing Team, a 4.23m
12.º Alberto Contador (ESP) / Saxo Bank-SunGard, a 4.26m
13.º Samuel Sánchez (ESP) / Euskaltel-Euskadi, m.t.
18.º Thomas Voeckler (FRA) / Team Europcar, a 4.44m
22.º Frank Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, m.t.
30.º Ivan Basso (ITA) / Liquigas-Cannondale, a 5.17m
36.º Andy Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, a 5.32m
44.º Sérgio Paulinho (POR) / Team RadioShack, a 6.54m
157.º Rui Costa (POR) / Movistar Team, a 15.25m

Classificação Geral:
1.º Thomas Voeckler (FRA) / Team Europcar, 69:00.56 horas
2.º Cadel Evans (AUS) / BMC Racing Team, a 1.45m
3.º Frank Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, a 1.49m
4.º Andy Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, a 3.03m
5.º Samuel Sánchez (ESP) / Euskaltel-Euskadi, a 3.26m
6.º Alberto Contador (ESP) / Saxo Bank-SunGard, a 3.42m
7.º Ivan Basso (ITA) / Liquigas-Cannondale, a 3.49m
8.º Damiano Cunego (ITA) / Lampre-ISD, a 4.01m
9.º Tom Danielson (EUA) / Garmin-Cervélo, a 6.04m
10.º Rigoberto Urán (COL) / Sky Procycling, a 7.55m
(...)
78.º Sérgio Paulinho (POR) / Team RadioShack, a 1:21.48h
87.º Rui Costa (POR) / Movistar Team, a 1:27.42h

Classificação por Equipas (Líder): Garmin-Cervélo (EUA), 206:31.24 horas
Classificação por Pontos (Líder): Mark Cavendish (GBR) / HTC-Highroad, 319 pontos
Classificação de Montanha (Líder): Jelle Vanendert (BEL) / Omega Pharma-Lotto, 74 pontos
Classificação da Juventude (Líder): Rigoberto Urán (COL) / Sky Procycling, 69:08.51 horas

Etapa 17 (Perfil):

Golden Foot 2011


Criado em 2003, o Golden Foot é um troféu internacional destinado a galardoar futebolistas pelos seus desempenhos dentro das quatro linhas, tanto a nível individual como colectivo.

Este troféu foi anteriormente conquistado por Roberto Baggio (2003), Pavel Nedved (2004), Andriy Shevchenko (2005), Ronaldo (2006), Alessandro Del Piero (2007), Roberto Carlos (2008), Ronaldinho Gaúcho (2009) e Francesco Totti (2010).

A escolha dos 10 nomeados é feita por um painel de jornalistas de vários países, tendo por base o critério de que estes jogadores tenham mais de 29 anos e que ainda se encontrem no activo.

Depois de serem conhecidos os nomeados, qualquer adepto poderá escolher o seu favorito através de votação online. O vencedor do galardão deixa também a marca da sua pegada na Promenade dos Campeões, situada em Monte Carlo, no Principado do Mónaco.

Os dez nomeados de 2011 são:
David Beckham (ING) - LA Galaxy
Gianluigi Buffon (ITA) - Juventus
Didier Drogba (CMF) - Chelsea
Samuel Eto'o (CAM) - Inter Milão
Ryan Giggs (PGA) - Manchester Utd.
Iker Casillas (ESP) - Real Madrid
Javier Zanetti (ARG) - Inter Milão
Carles Puyol (ESP) - Barcelona
Raúl González (ESP) - Schalke 04
Xavi Hernández (ESP) - Barcelona

O vencedor será conhecido no próximo dia 7 de Outubro.
Para votar basta aceder ao website do Golden Foot. Clique aqui.

segunda-feira, julho 18, 2011

Japão ganha primeiro título internacional


A selecção japonesa de futebol feminino conquistou pela primeira vez na história do país um título internacional nesta modalidade. As nipónicas bateram a favorita selecção dos EUA nos penáltis, coroando assim uma excelente campanha no 6.º Campeonato do Mundo. O feito alcançado ontem na Alemanha, além da componente histórica, trouxe alegria a um país que este ano já enfrentou adversidades extremas.

Copa América 2011: Quartos-de-Final


Quartos-de-Final:
Chile 1 x 2 Venezuela

Nova grande surpresa: a Venezuela está nas meias-finais da Copa América, depois de vencer o Chile por duas bolas a uma. La vinotinto continua a fazer história, atingindo pela primeira vez esta fase do torneio mais antigo do Mundo. Depois dos excelentes resultados alcançados no Grupo B, a selecção venezuelana voltou a jogar num grande nível táctico e, pese embora a superioridade chilena, chega às "meias" da prova com plena justiça, dada a entrega e solidariedade dos seus jogadores.

A surpreendente Venezuela atinge as meias-finais pela primeira vez na sua história.
De facto, foi o Chile que dominou toda a partida e os venezuelanos só responderam em ataques rápidos ou bolas paradas. Seria mesmo na sequência de um livre que a Venezuela chegaria à vantagem, depois de um bom desvio de Vizcarrondo (34'). Fruto de uma maior pressão, la roja empatou a partida já na etapa complementar através do tento de Humberto Suazo (69'), isto depois de o mesmo atirar por duas vezes aos ferros da baliza defendida por Vega. À passagem do minuto 80, Gabriel Cichero colocou a selecção venezuelana na frente do marcador, ele que foi mesmo o herói do encontro, visto que "salvou" dois golos chilenos em cima da linha. O Chile ainda tentou igualar, mas sem efeitos práticos. Nas meias-finais, a já histórica Venezuela vai enfrentar o Paraguai na madrugada de quinta-feira.

Meias-Finais:
Peru x Uruguai (20/07, 01:45)
Paraguai x Venezuela (21/07, 01:45)

COL DU GALIBIER #15: (A)normalidade


Mark Cavendish, quem mais? Na etapa deste domingo, que ligou Limoux a Montpellier, o sprinter da HTC-Highroad voltou a não dar qualquer hipótese aos seus rivais. Tyler Farrar (Garmin-Cervélo) e Alessandro Petacchi (Lampre) bem tentaram mas o “Expresso da Ilha de Man” insiste em tornar fáceis as previsões dos adeptos quando é de chegadas em pelotão compacto que se fala. Já é uma (a)normalidade que ninguém questiona.

Dissertar sobre o triunfo do britânico seria chover sobre o molhado. Prefiro dar ênfase à estratégia montada pelo director desportivo da formação norte-americana, Allan Peiper. O team manager dá-se ao luxo de conseguir controlar estas etapas praticamente planas com apenas dois homens, Lars Bak e Danny Pate, tal como referiu no final da etapa o próprio Mark Renshaw, deixando de reserva para os derradeiros quilómetros Bernhard Eisel, Matthew Goss, Tony Martin, Peter Velits – estes dois já fora da luta pela geral individual – e, obviamente, Mark Renshaw.

Depois é imprimir um ritmo duríssimo e que ninguém consiga furar – veja-se o caso de Phillipe Gilbert (Omega Pharma-Lotto), que ainda hoje tentou a sua sorte -, e levar Cavendish nas melhores condições até cerca de 300 metros da linha de chegada. E aí, enfim, todos sabemos…


Num dia de alguma placidez, apesar do vento que se fez sentir no Sul de França, começaram já as projecções para os Alpes, até porque amanhã chega o merecido descanso. Contador (Saxo Bank-Sungard) assegura que não vai chegar a Paris sem atacar, mesmo reconhecendo que será difícil vencer a Grande Boucle pela 4.ª vez, Voeckler (Europcar), honestamente ou não, diz que as probabilidades de manter a amarela são nulas e Andy Schleck (Leopard Trek) aponta Cadel Evans (BMC) e Ivan Basso (Liquigas) como principais ameaças ao seu triunfo. Estarei atento à próxima abordagem montanhosa…

Nesta segunda parte da corrida, sou “obrigado” a sublinhar, além do já referido Cavendish, os desempenhos do norueguês Thor Hushovd (Garmin-Cervélo), pela jornada verdadeiramente gloriosa em que cruzou o Col d’Aubisque e chegou isolado a Lourdes, Samuel Sánchez, por ser o único homem para a geral que se mexeu efectivamente em busca dos seus objectivos e até venceu em Luz-Ardiden, e o herói dos franceses, Thomas Voeckler. Eu, que sempre coloquei sérias interrogações à sua qualidade e que, em parte, o considerei fruto de uma admiração exacerbada do povo francês, órfão de uma referência maior no ciclismo desde Bernard Hinault, estou rendido.
Octávio Lousada Oliveira

domingo, julho 17, 2011

Copa América 2011: Quartos-de-Final


Quartos-de-Final:
Brasil 0 x 0 Paraguai (g.p. 0 x 2)

O Brasil está fora da Copa América. Depois da Colômbia e da anfitriã Argentina, foi a vez do conjunto canarinho desiludir, com uma derrota nas grandes penalidades. Os brasileiros, mesmo sem deslumbrar, foram superiores durante largos períodos da partida e dispuseram de várias ocasiões para desbloquear o marcador. Contudo, a fraca pontaria foi sempre o calcanhar de Aquiles da selecção do país do samba, apenas um pronúncio para o que aí vinha. Por seu turno, o Paraguai baseou o seu jogo na organização defensiva e na tentativa de explorar o contra-ataque. No entanto, os guaraníes raramente incomodaram o guardião Júlio César, enquanto do outro lado Justo Vilar transformava-se num dos heróis da noite. 

A selecção brasileira falhou todos os penáltis e foi eliminada da competição.
Com o nulo a persistir, a partida seguiu para o prolongamento, onde simplesmente não houve futebol. Neste período, de realçar apenas as expulsões de Lucas Leiva (Brasil) e Alcaraz (Paraguai), após troca de agressões. No desempate pela marca dos 11 metros, os brasileiros voltaram a revelar fraca finalização. Elano, André Santos e Fred atiraram por cima, enquanto Thiago Silva permitiu a defesa a Justo Vilar. Já a selecção paraguaia teve "apenas" que marcar dois penáltis - em três tentativas -, seguindo assim para as "meias" da prova, onde irá encontrar a Venezuela ou o Chile.

Le Tour de France 2011: Etapa 15


Quarta vitória para Mark Cavendish nesta edição da Grande Boucle. O britânico da HTC-Highroad confirmou que é o rei dos sprinters, terminando à frente de Tyler Farrar (Garmin) e Alessandro Petacchi (Lampre), naquele que foi o seu 19.º triunfo na principal competição velocipédica do Mundo. A etapa de 192,5 quilómetros decorreu sem sobressaltos, com a habitual fuga do dia a não ter sucesso. Com a chegada a Montpellier em pelotão compacto, a HTC lançou na perfeição o líder da camisola verde, que hoje reforçou a posição na respectiva classificação. Na geral continua tudo igual, Thomas Voeckler continuará a envergar a maillot jaune após o segundo e último dia de descanso que se cumpre amanhã.

O ciclista da HTC-Highroad reforçou a liderança da camisola verde.
Classificação Etapa 15:
1.º Mark Cavendish (GBR) / HTC-Highroad, 4:20.24 horas (média: 44,5 km/h)
2.º Tyler Farrar (EUA) / Garmin-Cervélo, m.t.
3.º Alessandro Petacchi (ITA) / Lampre-ISD, m.t.
(...)
40.º Andy Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, m.t.
42.º Alberto Contador (ESP) / Saxo Bank-SunGard, m.t.
71.º Thomas Voeckler (FRA) / Team Europcar, m.t.
83.º Sérgio Paulinho (POR) / Team RadioShack, m.t.
149.º Rui Costa (POR) / Movistar Team, a 3.09m

Classificação Geral:
1.º Thomas Voeckler (FRA) / Team Europcar, 65:24.34 horas
2.º Frank Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, a 1.49m
3.º Cadel Evans (AUS) / BMC Racing Team, a 2.06m
4.º Andy Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, a 2.15m
5.º Ivan Basso (ITA) / Liquigas-Cannondale, a 3.16m
6.º Samuel Sánchez (ESP) / Euskaltel-Euskadi, a 3.44m
7.º Alberto Contador (ESP) / Saxo Bank-SunGard, a 4.00m
8.º Damiano Cunego (ITA) / Lampre-ISD, a 4.01m
9.º Tom Danielson (EUA) / Garmin-Cervélo, a 5.46m
10.º Kevin de Weert (BEL) / Quick Step Cycling Team, a 6.18m
(...)
77.º Rui Costa (POR) / Movistar Team, a 1:17.01h
82.º Sérgio Paulinho (POR) / Team RadioShack, a 1:19.38h

Classificação por Equipas (Líder): Team Leopard Trek (LUX), 195:47.43 horas
Classificação por Pontos (Líder): Mark Cavendish (GBR) / HTC-Highroad, 319 pontos
Classificação de Montanha (Líder): Jelle Vanendert (BEL) / Omega Pharma-Lotto, 74 pontos
Classificação da Juventude (Líder): Rigoberto Urán (COL) / Sky Procycling, 65:32.29 horas

Etapa 16 (Perfil):

COL DU GALIBIER #14: Risco


Existe uma característica em cada ser humano, cujo reflexo é bastante visível nos seus comportamentos seja em que área for, que aprecio bastante: a assunção do risco. Daí decorre a minha profunda desilusão com a etapa de ontem do Tour de France, uma vez que ninguém teve coragem de abanar definitivamente a corrida. Uma chegada a Plateau de Beille, na derradeira oportunidade pirenaica, pressupunha mais arrojo da parte dos líderes das principais equipas do pelotão.

Numa corrida endurecida desde muito cedo pela Leopard Trek dos irmãos Schleck, foram muitas as cerimónias para se aumentar o ritmo na cabeça do grupo principal quando os gregários dos luxemburgueses terminaram o seu trabalho. Mais uma vez, ou as forças estavam muito equiparadas entre os homens para a geral individual ou o respeito mútuo acabou por imperar – ou mesmo receio de atacar e ficar “a pé”.

O paradigma do calculismo ou da aposta nos serviços mínimos foi Alberto Contador. O espanhol da Saxo Bank-Sungard limitou-se a responder aos ataques dos seus adversários mais directos – sendo que não podia responder a todos – mas nunca esboçou qualquer tentativa de contra-ataque. Veremos o que conseguirá fazer nos Alpes…

Por sua vez, Cadel Evans e Ivan Basso não têm explosão para sacudir homens como “El Pistolero” ou os irmãos do grão-ducado e Damiano Cunego, sem constituir uma grande desilusão, não conseguiu acompanhar os restantes candidatos até ao topo da montanha.


A sociedade Andy-Frank foi, uma vez mais, quem mais procurou ser feliz mas sem sucesso. O mais velho sentiu até algumas dificuldades nos quilómetros finais quando Cadel Evans e Ivan Basso aumentaram o ritmo.

No meio de todo este emaranhado velocipédico foi Jelle Vanendert (Omega Pharma-Lotto) a puxar dos galões e a fazer um esforço solitário, cruzando a meta antes de todos os favoritos, naquele que foi o maior triunfo da sua ainda curta carreira. Samuel Sánchez não se conformou com o equilíbrio pelo terror que se fazia sentir no seio do grupo e foi à procura de Vanendert, ainda que tenha ficado a 21s da nova descoberta do ciclismo belga.

Digno de registo continua a ser o estoicismo e a capacidade de vender cara a derrota – será que vai mesmo ceder a amarela? – do líder Thomas Voeckler. O francês não só se defendeu perfeitamente dos tubarões do pelotão como ainda teve a ousadia (calculada) de os pôr em sentido com ataques esporádicos. Será somente o elã da maillot jaune? Custa-me a crer.
Octávio Lousada Oliveira

Copa América 2011: Quartos-de-Final


Quartos-de-Final:
Colômbia 0 x 2 Peru (a.p.)
Uruguai 1 x 1 Argentina (g.p. 5 x 4)

Este Sábado, o Peru causou surpresa ao eliminar a Colômbia nos quartos-de-final da Copa América. Num encontro marcado pelo enorme rigor táctico, foram poucas as oportunidades para ambos os lados. A melhor situação de golo durante os 90 minutos surgiu após o sportinguista Alberto Rodríguez ter provocado penálti sobre o colombiano Dayro Moreno. Na conversão da grande penalidade, o dragão Radamel Falcao não foi capaz de bater o guarda-redes da blanquirroja.

O nulo verificado no final do tempo regulamentar levou o jogo para prolongamento, onde o Peru não deu qualquer hipótese. Em puro contra-ataque, os cafeteros foram batidos com golos de Carlos Lobatón (101') e Juan Vargas (112'). Com esta vitória, o Peru chega às meias-finais da prova, feito que já não alcançava desde 1997.

Num duelo de "portugueses", Rodríguez levou a melhor sobre Falcao.
No jogo grande dos quartos-de-final, o Uruguai não foi em cantigas e bateu a anfitriã Argentina. Numa partida muito disputada, os golos não demoraram em aparecer: o uruguaio Diego Pérez inaugurou o marcador logo aos 6 minutos e a alviceleste reestabeleceu o empate aos 17' por Gonzalo Higuaín.

Até aos 90', o placard não mais sofreu alterações, muito por culpa da grande exibição de Muslera, a fazer lembrar o Mundial'2010. O guardião que acabou de se transferir para o Galatasaray foi mesmo o herói da noite ao defender o penálti de Carlos Tevez, único jogador a falhar no desempate por grandes penalidades. A alviceleste diz adeus à competição, deixando uma imagem cinzenta, já o Uruguai irá agora defrontar o Peru nas meias-finais.

Lotaria dos penáltis dita adeus da Argentina de Messi.
As restantes partidas dos quartos-de-final disputam-se esta noite. O Brasil irá medir forças com o Paraguai (20:00), já a Venezuela discute o acesso às meias frente ao Chile (23:15).

sábado, julho 16, 2011

Le Tour de France 2011: Etapa 14


Jelle Vanendert (Omega) foi o grande vencedor na despedida dos Pirenéus, num dia onde, contra todas as expectativas, Thomas Voeckler (Europcar) manteve a maillot jaune. O belga da Omega Pharma-Lotto, que agora é líder da Montanha, isolou-se nos últimos quilómetros da subida ao Plateau de Beille (categoria especial), com Samuel Sánchez (Euskaltel) a cortar a meta no 2.º lugar. Andy Schleck (Leopard Trek) foi 3.º, ele que atacou nos metros finais, ganhando apenas 2 segundos à concorrência directa. O espanhol Alberto Contador, pese embora as assumidas limitações físicas, "aguentou-se" e chegou junto aos principais favoritos. Destaque para Rigoberto Urán (Sky) que conseguiu terminar em 5.º, conquistando assim a camisola da Juventude. Quanto aos portugueses, Rui Costa (Movistar) voltou a dar boas indicações, visto que integrou a fuga da etapa. Já Sérgio Paulinho (RadioShack) cortou a meta muito atrasado.

Jelle Vanendert foi o grande herói no Plateau de Beille.
Classificação Etapa 14:
1.º Jalle Vanendert (BEL) / Omega Pharma-Lotto, 5:13.25 horas (média: 32,3 km/h)
2.º Samuel Sánchez (ESP) / Euskaltel-Euskadi, a 21s
3.º Andy Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, a 46s
4.º Cadel Evans (AUS) / BMC Racing Team, a 48s
5.º Rigoberto Urán (COL) / Sky Procycling, m.t.
6.º Alberto Contador (ESP) / Saxo Bank-SunGard, m.t.
7.º Thomas Voeckler (FRA) / Team Europcar, m.t.
8.º Frank Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, m.t.
9.º Jean-Christophe Peraud (FRA) / AG2R La Mondiale, m.t.
10.º Ivan Basso (ITA) / Liquigas-Cannondale, m.t.
(...)
53.º Rui Costa (POR) / Movistar Team, a 12.08m
158.º Sérgio Paulinho (POR) / Team RadioShack, a 26.45m

Classificação Geral:
1.º Thomas Voeckler (FRA) / Team Europcar, 61:04.10 horas
2.º Frank Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, a 1.49m
3.º Cadel Evans (AUS) / BMC Racing Team, a 2.06m
4.º Andy Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, a 2.15m
5.º Ivan Basso (ITA) / Liquigas-Cannondale, a 3.16m
6.º Samuel Sánchez (ESP) / Euskaltel-Euskadi, a 3.44m
7.º Alberto Contador (ESP) / Saxo Bank-SunGard, a 4.00m
8.º Damiano Cunego (ITA) / Lampre-ISD, a 4.01m
9.º Tom Danielson (EUA) / Garmin-Cervélo, a 5.46m
10.º Kevin de Weert (BEL) / Quick Step Cycling Team, a 6.18m
(...)
74.º Rui Costa (POR) / Movistar Team, a 1:13.52h
84.º Sérgio Paulinho (POR) / Team RadioShack, a 1:19.38h

Classificação por Equipas (Líder): Team Leopard Trek (LUX), 182:46.31 horas
Classificação por Pontos (Líder): Mark Cavendish (GBR) / HTC-Highroad, 264 pontos
Classificação de Montanha (Líder): Jelle Vanendert (BEL) / Omega Pharma-Lotto, 74 pontos
Classificação da Juventude (Líder): Rigoberto Urán (COL) / Sky Procycling, 61:12.06 horas

Etapa 15 (Perfil):

COL DU GALIBIER #13: Já vi tudo no ciclismo...


A vitória de Thor Hushovd na tirada desta sexta-feira foi quase uma projecção do imaginário colectivo dos amantes de ciclismo. Ainda estou incrédulo com aquilo a que assisti. Nunca vi um porco a andar de bicicleta, mas, doravante, poderei afirmar que já vi um sprinter, com 1,83 metros e 83 quilogramas, vencer uma etapa em que dobrou o Col d’Aubisque como se estivesse a contornar uma rotunda no último quilómetro de uma chegada em pelotão compacto. Notável!

E, mais do que a capacidade física patenteada, foi a lição táctica do “Touro de Grimstad” que saltou à vista. “Deixou” escapar Jérémy Roy, da Française-des-Jeux, durante a escalada ao Aubisque (subida de categoria especial) para na descida e na parte plana, bem mais ao seu jeito, apanhar e passar directo pelo francês, ainda que com a colaboração de um impotente David Moncoutié (Cofidis).

Hushovd veio confirmar a boa prestação da Garmin-Cervélo nesta edição da Grande Boucle, dando mais uma vitória à formação norte-americana, que agora lidera também a classificação por equipas.

O triunfo na chegada a Lourdes, depois de percorridos 152,5 quilómetros, prova que o norueguês está cada vez mais um ciclista polivalente. A sua capacidade para o sprint é inegável, embora já não seja dos melhores nesse capítulo. Defende-se cada vez melhor nos contra-relógios individuais, bem como a rolar e, nos últimos tempos, tem desenvolvido qualidades no que respeita à forma como enfrenta a média e alta montanha, integrando-se em fugas e indo buscar pontos onde todos os rivais na luta pela camisola verde não conseguem.


Em relação aos homens para o triunfo final, pouco há a assinalar. Ninguém mexeu na corrida, num dia muito morno e de poupança para a dura jornada deste sábado. No total serão seis as contagens de montanha, com chegada ao mítico Plateau de Beille, montanha de categoria especial.

Estou certo de que amanhã se farão diferenças mais significativas do que aquelas que se verificaram em Luz-Ardiden. Direi mesmo que mais um dia mau para Contador poderá ditar o adeus à vitória final. E, sem azares pelo meio, estou curiosíssimo por assistir à prestação de Peter Velits, bem como aferir da capacidade de resistência – se é que ficou alguma coisa por provar – de Thomas Voeckler.

Uma nota final para um ciclista que muito prezo e que aumentou o rol de desistências: ainda que veterano, é uma pena ficarmos privados de ver Andréas Klöden no que resta da prova gaulesa.

Octávio Lousada Oliveira

sexta-feira, julho 15, 2011

Le Tour de France 2011: Etapa 13


Novamente Thor Hushovd (Garmin) em grande destaque. Depois de resistir cerca de uma semana como líder da classificação geral, o norueguês venceu - finalmente! - uma etapa (individual) nesta edição da Grande Boucle e, diga-se, com grande categoria. Logo depois chegou David Moncoutie (Cofidis) e Jérémy Roy (FDJ), este que foi eleito o combativo da tirada, uma vez que esteve na frente da corrida durante largos quilómetros. Além desse "prémio", o ciclista francês da Française des Jeux é agora o líder da Montanha, depois de passar em 1.º no Col d'Aubisque (categoria especial). Já o pelotão chegou muito tempo depois, com Sérgio Paulinho (RadioShack) integrado no mesmo, enquanto Rui Costa (Movistar), que não está nas melhores condições (suspeitas de uma tendinite), cortou a meta a 13 minutos do vencedor.

O campeão do Mundo conquistou a primeira etapa neste Tour'2011.
Classificação Etapa 13:
1.º Thor Hushovd (NOR) / Garmin-Cervélo, 3:47.36 horas (média: 40,2 km/h)
2.º David Moncoutie (FRA) / Cofidis, a 10s
3.º Jérémy Roy (FRA) / Française des Jeux, a 26s
(...)
10.º Philippe Gilbert (BEL) / Omega Pharma-Lotto, a 6.48m
17.º Thomas Voeckler (FRA) / Team Europcar, a 7.37m
19.º Andy Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, m.t.
38.º Alberto Contador (ESP) / Saxo Bank-SunGard, m.t.
84.º Sérgio Paulinho (POR) / Team RadioShack, a 7.52m
105.º Rui Costa (POR) / Movistar Team, a 13.05m

Classificação Geral:
1.º Thomas Voeckler (FRA) / Team Europcar, 55:49.57 horas
2.º Frank Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, a 1.49m
3.º Cadel Evans (AUS) / BMC Racing Team, a 2.06m
4.º Andy Schleck (LUX) / Team Leopard Trek, a 2.17m
5.º Ivan Basso (ITA) / Liquigas-Cannondale, a 3.16m
6.º Damiano Cunego (ITA) / Lampre-ISD, a 3.22m
7.º Alberto Contador (ESP) / Saxo Bank-SunGard, a 4.00m
8.º Samuel Sánchez (ESP) / Euskaltel-Euskadi, a 4.11m
9.º Philippe Gilbert (BEL) / Omega Pharma-Lotto, a 4.35m
10.º Tom Danielson (EUA) / Garmin-Cervélo, m.t.
(...)
75.º Sérgio Paulinho (POR) / Team RadioShack, a 53.41m
86.º Rui Costa (POR) / Movistar Team, a 1:02.32h

Classificação por Equipas (Líder): Garmin-Cervélo (EUA), 166:54.52 horas
Classificação por Pontos (Líder): Mark Cavendish (GBR) / HTC-Highroad, 264 pontos
Classificação de Montanha (Líder): Jérémy Roy (FRA) / Française des Jeux, 45 pontos
Classificação da Juventude (Líder): Arnold Jeannesson (FRA) / Française des Jeux, 55:55.47 horas

Etapa 14 (Perfil):

COL DU GALIBIER #12: Nem meio cheio, nem meio vazio


No desporto, tal como na política ou em tantas outras áreas, a realidade é passível de várias interpretações e de múltiplas formas de a tentar contornar. Já aqui referi implícita ou explicitamente que Alberto Contador é o meu favorito à vitória nesta edição do Tour de France 2011. Apontei-o até como o homem para vencer na difícil chegada à estância de esqui de Luz-Ardiden, depois da passagem por La Horquette d’Ancizan e da exigente subida ao Col du Tourmalet. Equivoquei-me. Mas durmo tão bem para esse lado. Durmo mal é ao ouvir a relativização que o espanhol fez no final da tirada, depois de perder mais tempo para os seus adversários directos.

Ao longo das três escaladas – as duas últimas de categoria especial -, o dorsal n.º 1 da Grande Boucle nunca aparentou estar em grandes condições. O corpo visivelmente inclinado sobre a bicicleta, menor cadência de pedalada do que costuma apresentar, um abanar constante quando se levantava do selim, algum sofrimento estampado no seu rosto quando alguém imprimia um ritmo mais elevado no grupo principal e, mais importante, a dificuldade em estar bem colocado como a maioria dos seus adversários. Mas, como o ciclismo também bebe de algumas características do póquer, poderia ser uma artimanha, um acto de bluff do espanhol…

Mas nos últimos quilómetros – dos 211 totais – da derradeira escalada, ficou claro que “El Pistolero” não é o mesmo do Giro ou de outras edições da prova gaulesa. Não é que os 13s que cedeu para Andy Schleck, Cadel Evans e um regenerado Ivan Basso sejam demasiado significativos ou que a distância a que já está dos irmãos Schleck – nota muito positiva para a etapa do primogénito da família – e de Cadel Evans seja irrecuperável, mas o capital de moral que tinha conquistado na quarta etapa, quando demonstrou imensa força, desvaneceu.

Pode-se levar em linha de conta o Tour atribulado que está a ter, com vários tombos, algumas mazelas ainda visíveis e com a enorme pressão mediática a que está sujeito por causa da velha história do clembuterol, mas hoje, ainda que tenha afirmado estar “satisfeito com o resultado”, foi derrotado. Não há aqui qualquer hipótese para olharmos para o copo e relativizar ou ser ambíguo. Não está meio cheio, nem está meio vazio. Há quem esteja melhor que o ciclista da Saxo Bank-Sungard nesta fase. Ponto.


E a sua equipa, sem ter trabalhado muito na frente do pelotão, salvo Jesus Hernández, foi um autêntico flop, face a uma Leopard Trek avassaladora, com o veterano Jens Voigt a fazer de Cancellara e a impor um ritmo que desfez o grupo principal.

Nesta 12.ª etapa importa também dar o devido valor ao esforço sobre-humano do ainda camisola amarela Thomas Voeckler (Europcar) e ao altruísmo do seu colega, o jovem Pierre Rolland, que o escudou até cruzarem, juntos, a linha de meta.

Samuel Sánchez, esse, foi o herói do dia. Os Pirenéus, vestidos de laranja, rejubilaram com a prestação do ciclista basco da Euskaltel-Euskadi. Sánchez recuperou tempo e bastantes lugares na geral individual.

Positiva alta para Basso e Cunego e um chumbo para a Rabobank. Gesink confirmou que está longe da sua melhor condição e León Sánchez, 2.º da geral à partida, desiludiu tremendamente. A RadioShack continua a ser perseguida pelo azar. Hoje foi a vez de Klöden. Escapou Leipheimer, ainda que a léguas do que já conseguiu fazer no Tour.

Em jeito de balanço, assistiu-se a uma etapa com algum interesse mas muito, muito, muito morna. A velha asserção de que a montanha pariu um rato adequa-se na perfeição. É que, em bom rigor, sem Contador em forma, a coragem escasseia. Só ele e os irmãos Schleck preferem perder a tentar ganhar.

Octávio Lousada Oliveira

quinta-feira, julho 14, 2011

Liga Europa: 2.ª Pré-Eliminatória (1.ª Mão)


2.ª Pré-Eliminatória (1.ª Mão):
FH Hafnarfjördur 1 x 1 Nacional

Naquele que foi o primeiro jogo oficial de uma equipa portuguesa na temporada 2011/2012, o Nacional não foi além do empate (1-1) no reduto do FH Hafnarfjördur. Frente a um conjunto amador islandês, a equipa comandada por Ivo Vieira não foi capaz de mostrar a sua superioridade num encontro referente à 1.ª mão da 2.ª pré-eliminatória da Liga Europa.
 
Os alvinegros controlaram as operações durante toda a primeira parte, mas o golo só apareceria já perto do intervalo (45'+1). Edgar Costa foi o autor do tento inaugural, após cruzamento do debutante Candeias. Na segunda parte, o FH reestabeleceu o empate por intermédio de Bjarnason (67'), um médio que é também... jornalista (!).  O marcador não mais sofreu alterações até ao apito final.

Madeirenses iniciam caminhada europeia com empate na Islândia.
Elisson na baliza e Candeias na ala esquerda, foram as novidades no onze apresentado pelos madeirenses em relação à época transacta, ambos mostraram bons apontamentos ao longo da partida e seriam decisivos no desenrolar da contenda.

Visto estarmos numa fase prematura da época, o Nacional ainda não apresentou os melhores índices físicos, ainda assim é notório que os madeirenses têm claramente mais argumentos para bater a turma islandesa na Choupana, já no próximo dia 21.